Rochas ornamentais: a importância da especificação

O objetivo deste texto é informar e provocar. Informar acrescentando informações além das milhares de galerias de imagens da internet (a gente também adora, mas a arquitetura não é pura estética) e provocar e estimular os usuários e clientes a questionar a escolha e o uso das pedras pela pura aparência. Não condenamos a estética, mas somos da opinião de que quando o material precisa exercer alguma função na edificação, ele necessita sim de um estudo mais profundo.

As rochas ornamentais são materiais abundantes em algumas regiões, temos a sorte de ter o nosso país incluído na lista. Vemos mármores e granitos em qualquer edificação, não importando o seu padrão, embora haja outras variedades de rochas ornamentais, tais como gnaisse, basalto e outros. A sorte de padrões é enorme e a de acabamentos também.

Devido à sua beleza e resistência, as rochas ornamentais são utilizadas desde a antiguidade, em especial o mármore, como pode ser visto nas ruínas dos templos gregos e romanos e também em esculturas e lápides. Atualmente, o seu uso se restringiu a acabamentos em pisos, fachadas, paredes e bancadas.

mármore

A TV mostra em programas de decoração muitos ambientes sofisticados ornados peças exóticas, deslumbrantes  e muitas vezes caríssimas. Afinal, por que não ter luxo e beleza se a sua condição de vida permite, não é mesmo? A criatividade dos profissionais da área não tem limites. Nós também gostamos muito de utilizar rochas nos nosso projetos.

A questão é que, na maioria dos casos, os clientes escolhem as pedras por mera estética e cabe ao profissional alertar para outras características observáveis desses materiais, o que muitas vezes não ocorre até por questão de prioridade da obra ou ainda por insipiência do profissional especificador que não procura se as propriedades físicas daquele material atendem ao seu uso naquele projeto. Sendo assim, é muito comum ocorrerem patologias prematuras nesses materiais. Ou seja, manchas, fissuras, oxidação e outros problemas acarretados pelo mau emprego do material.

O que tem ocorrido é a crescente especificação de materiais sintéticos que imitam as rochas naturais, como o silestone (foto a seguir) e o marmoglass, os quais têm características mais definidas e constantes devido a padronização de seu processo de produção. Dessa forma, o profissional indica ao cliente o material e ressalta apenas a sua cor e não precisa se preocupar com uma especificação porventura equivocada de uma rocha natural. O que certamente permite maior liberdade de criação durante o projeto.silestone branco

De fato, é recomendado que um profissional seja consultado para todo projeto e obra, de modo a evitar-se surpresas durante a obra ou durante a ocupação do imóvel. Entretanto, como já dito, pode ocorrer que no “calor do momento” o material seja escolhido visando apenas sua aparência, ou até mesmo preço. Assim, sugerimos que durante a fase de especificação de materiais, o cliente questione abertamente o profissional ou fornecedor sobre a qualidade e a finalidade ideal daquele exemplar. Essa prática vale para qualquer material de construção, obviamente.

Sugerimos, grosso modo, que seja feita uma análise ao se escolher os materiais de acabamento, nesse caso as rochas ornamentais:

Primeiro, é necessário enumerar quais serão os pontos em que as rochas serão utilizadas, por exemplo:

  • bancada da cozinha (área molhada e exposta a produtos quimicos)
  • bancada do banheiro (área molhada e exposta a produtos quimicos)
  • revestimento do muro (área sujeita a umidade e intempéries)
  • piso da varanda (médio tráfego e exposição a variação de temperatura)

De posse dessas decisões, definir se será utilizado o mármore ou granito. Lembrando que são rochas de origem e estrutura completamente diferentes e por isso têm comportamentos peculiares mediante determinadas situações. Caso haja o interesse de utilizar a mesma pedra em toda a construção, recomendamos ponderar e encontrar um exemplar que satisfaça a maior quantidade possível de exigências do meio.

Caso o fator custo seja uma limitação, este é o momento de recortar uma faixa de preço por m² aplicável a sua obra e destacar alguns tipos disponíveis nessa faixa para posterior escolha.

O tratamento da rocha também é importante.  Conforme o seu destino, pode se optar por tratamentos diversos ao polido, o mais comum, como por exemplo o jateado, levigado, flameado, resinado e até mesmo o bruto. Abaixo algumas definições sobre os tratamentos:

Polido (mármore e granito): A rocha é polida a partir da lustração e fica lisa e brilhante. Indicado para áreas internas.

Bruto (mármore e granito): É a rocha sem qualquer tipo de acabamento apenas cortado, usado da mesma forma em que é encontrada na natureza. Larga utilização em pisos de jardim e áreas externas.

Jateado (mármore e granito): Indicado para áreas externas, esse acabamento usa um jato de areia para deixar a rocha sem brilho.

Levigado (mármore e granito): É lixado com abrasivos até deixá-lo liso. Seu aspecto é opaco, semi-polido. Comumente usado em revestimentos de paredes.

Cristalização (mármore e granito): Esse acabamento tem a função de criar uma película protetora no mármore e granito a fim de protegê-lo. Esse processo é feito por empresas especializadas.

Resinado (mármore e granito): Esse acabamento serve para dar um melhor polimento e brilho superior a peça através da aplicação de resina e lustração. Usado em áreas internas e secas.

Lustrado (granito): Nele, a rocha ganha mais impermeabilização através da aplicação de produtos químicos abrasivos, que consequentemente torna a superfície lisa.

Apicoado (granito): O acabamento é através de batidas que criam pequenos furos no granito, tornando-o antiderrapante.

Flameado (granito): Nesse processo é passado um maçarico que queima algumas partes da rocha, escondendo alguns defeitos. Cria um aspecto rugoso e ondulado e deve ser utilizado em granitos nas áreas externas.

Fonte: http://www.marmore-granito.com

A essa altura, você deve ter limitadas opções já pré-selecionadas e é hora de filtrar pela estética, e ver qual padrão vai combinar com o resto da sua obra. Parece fácil, não é mesmo? mas será que é só isso?

Ai vão algumas dicas super importantes:

  • Não entraremos em detalhe aqui na composição mineralógica das rochas, mas convém ressaltar que cada tipo de rocha tem características únicas, que formam suas cores e padronagens, e por isso cada uma reage ao meio de maneira diferente. Determinadas formações não aceitam bem produtos químicos, outras dilatam excessivamente e outras ainda não suportam muito peso. Por isso repetimos que é essencial que as rochas sejam especificadas corretamente para que sua vida útil traga um bom custo-benefício para sua obra.
  • Rochas como pedra sabão, mármores e calcários são sensíveis quando em contato com areia (sola de sapatos por exemplo), e por isso altamente riscáveis. Assim, devem ser evitadas em áreas comuns, onde normalmente o tráfego de pessoas calçadas é maior. Esse tipo de rocha não reage bem a limpeza com materiais ácidos e abrasivos.
  • A ardósia, largamente utilizada nos anos 90 e ainda usada no interior também é sensível a riscos, mas aceita bem a aplicação de sinteco e funciona bem em áreas com pouco tráfego. Caso contrário, o sinteco unido ao alto tráfego tende a manchar a pedra.
  • Os granitos são resistentes aos riscos mas também apresentam estrutura passível de manchas como o mármore. Vai depender do meio em que for inserido, variação térmica e etc.
  • Rochas com tom avermelhado,especialmente granitos, normalmente não resistem bem a impactos.
  • O uso de produtos químicos para limpeza deve ser feito com cautela pois cada pedra, devido a sua composição, reage diferente conforme o produto químico a que é exposta.
  • As manchas e fraturas sofridas pelas pedras não são apenas uma questão de aparência. elas também fragilizam o material.
  • Granitos amarelos são raros, mas quanto mais homogêneo é o tom, mais poroso ele é. O mesmo vale para pedras mineiras amareladas. Por isso ela é largamente utilizada em áreas de piscina.
  • Mármores são sensíveis na presença de ácidos, e não devem ser utilizados em ambientes exteriores agressivos (gases de combustão, maresia, chuvas ácidas), salvo seja executado um processo de proteção pós-assentamento.
  • É interessante evitar o contato de mármore com metais como o ferro, pois com o tempo, é possível que a rocha absorva óxidos do material e venha a manchar.

Como vêem, existe um vasto mundo dentro de uma especificação correta de material. Em grandes empreendimentos, o fornecedor primário deve entregar relatórios complexos sobre as características físicas e químicas das rochas, mas no dia a dia, esse preciosismo não existe.

Sabemos que com a experiência dos fornecedores e profissionais fica mais fácil conhecer o comportamento e os problemas que os materiais tendem a apresentar.

Após toda a especificação, é necessário que o profissional que execute a obra atenha-se aos detalhes e ao capricho. Ou seja, o traço da argamassa deve ser feito conforme especificado, bem como as juntas estruturais ou de dilatação. Todo esse controle de qualidade não pode ser ignorado se você não quer ter patologias em sua construção. E é claro, uma boa e adequada manutenção é sempre indispensável.

As alterações mais comuns sofridas pelas rochas ornamentais são: modificação de cor, manchas, desgaste, bolor, trincamento e perda de brilho. Com o  tempo, é inevitável que ela se deteriore, mas seguindo as nossas dicas certamente elas vão durar mais tempo.

Na dúvida, sempre contrate um profissional responsável!!!

 E se você leu até aqui, esperamos que tenham gostado do nosso artigo, temos uma dica bem legal! Visualize e baixe aqui um manual de rochas ornamentais que contém várias padronagens e características desses materiais de que tanto gostamos.